Viver sem ler é perigoso.

Artigo || Dez coisas que aprendi em dois anos de blog


Hoje o Me Livrando completa dois anos de existência. Confesso a você que não imaginei chegar até aqui, mas estou orgulhosa de mim mesma e não tenho vontade de parar. Cometi muitos erros e acertos, especialmente em 2016, e decidi que seria uma ótima ocasião para compartilhá-los com você. Se você quer ter um blog, ou se já o tem, recomendo que leia essa postagem e leve em consideração cada uma das lições abaixo.
Antes de começar a ler os apontamentos, quero abrir um espacinho aqui para falar sobre o que é ter um blog literário. Se você quer criar um com o intuito de ganhar livros e ponto final, lamento informar que irá quebrar a cara. Se espera conquistar fama e dinheiro num piscar de olhos, também sinto muito por você. Blogar, especialmente falando de livros num universo dominado por booktubers, é se arriscar a quebrar a cara e entender que você pode se dedicar muito às postagens, mas ainda assim talvez só dez pessoas leiam. É aprender a lidar com os “cults”, que são aqueles leitores existentes em todos os nichos que se acham conhecedores-mor de tudo aquilo que você pretende falar. É ser julgado independentemente da escolha que você fizer, e ter só duas opções: ignorar ou retrucar (sendo que ao fazer esse último, talvez passe a ser mal visto pelas pessoas sérias do meio). Antes de entrar nessa, aprenda a aceitar críticas construtivas e prepare a si mesmo para lidar com indiretas e críticas ofensivas, porque se quiser ser visto e reconhecido, essas duas coisas chatíssimas andarão de mãos dadas. Infelizmente é assim.
Quem disse que blogar é fácil, certamente nunca conseguiu manter um espaço por mais de um ano. Caso contrário, se ajoelharia ao nosso lado pedindo por misericórdia ao universo. Vai por mim.


1. Planejamento é importante se você quiser ter um blog
Aí está um de meus maiores arrependimentos. Eu nunca me preocupei muito em planejar nada para o Me Livrando. O ano que passou foi uma prova disso. Em 2015, com a empolgação de voltar a ter um blog, o conteúdo que produzi era quase incessante, mas isso acabou me prejudicando na faculdade. Em 2016, optei por me dedicar mais ao meu curso – e em contrapartida não dei tanta atenção ao Me Livrando. Ou seja, em ambos os casos faltou planejamento. Você precisa ter um, é fato.
Conheço muita gente que opta por viver a vida e postar quando der vontade. Conheço outros que postam todos os dias, o que não deve ser visto como algo positivo. Vou explicar: postar de vez em quando, como por exemplo três vezes ao mês, fará com que você tenha muito menos alcance e ganhe muito menos leitores novos. Isso é ruim. Postar todos os dias, por outro lado, também não traz qualquer benefício: o post que você colocou no ar hoje será divulgado e cortará o alcance daquele que foi postado ontem. Ou seja, precisa haver equilíbrio. Planeje-se. Pesquise os melhores horários, os melhores dias para o seu público. Invista nos mais votados tanto para colocar postagens no ar quanto divulgá-las. Mas divulgue com sabedoria porque...

2. Divulgar em demasia é muito chato
Eu já fui chata com divulgação. Um dia precisei entrar na conta de minha mãe no Facebook e vi que no feed de notícias dela só dava minhas divulgações em mais de 50 grupos diferentes. Isso devia estar aparecendo/acontecendo com meus amigos também. Imaginei o quão chato deve ser. Aliás, se você for meu amigo no Facebook e se deparou com essa situação, peço desculpas. E se você for meu amigo e faz isso, recomendo que pare – é um modo bem eficaz de as pessoas bloquearem suas notificações no feed de notícias, eu provavelmente já devo ter feito isso.
Calma, há solução. Nós, blogueiros que não alcançamos a fama nacional (ainda :p), dependemos de divulgar em grupos dessa forma. É importante sim, desde que você saiba onde e como divulgar. Meu conselho é que crie um perfil exclusivo para divulgação, e nele não aceite absolutamente ninguém. Não divulgue em grupos voltados a blogueiros e blogs literários – a interação é extremamente baixa porque ali estão todos mais preocupados em olhar para o próprio umbigo.
Procure grupos literários com um número legal de participantes e uma taxa alta de interação. Seja visto não apenas divulgando seu material, mas interagindo com todo mundo também. Isso torna as pessoas mais suscetíveis a dar atenção e clicar em qualquer coisa que você quiser compartilhar com elas naquele meio. Não faça a divulgação "joguei o link e sumi". Promova uma discussão envolvendo o tema ou a obra em questão. No finalzinho, disponibilize o link para a postagem – preferencialmente encurtado no goo.gl ou bit.ly. Pronto. Você está fazendo uma divulgação consciente e nota dez.
Conselho adicional: não compartilhe diretamente da sua página nos grupos. É muito bizarro entrar em páginas de blogs e ver que o post teve cinco curtidas – e setenta e três compartilhamentos. Retira um pouquinho da credibilidade e parece que você não faz nada na vida além de compartilhar por aí.

3. Valorize seus leitores
Não importa se você conta todos os leitores que tem no dedo. Eles são importantes e você deve valorizá-los. Responda seus comentários e faça com que se sintam bem-vindos ao seu espaço. Não os ignore, não os deixe pra lá: você está fazendo isso por amor.
Se procura grande audiência, está no nicho errado. Dificilmente blogs literários fazem tanto sucesso – conheço alguns com conteúdo maravilhoso que estão por aí há anos e não decolaram. As pessoas perderam o interesse em ler resenhas, e se você está mesmo atrás de muitos fãs, a maior possibilidade de você consegui-los falando de livros é criar um canal no YouTube. Agora um blog escrito... Você até consegue uma boa audiência, como foi o caso do Me Livrando, mas se está esperando muitos comentários e inúmeras curtidas, é bom repensar. Por isso deve valorizar todos aqueles que receber – você mesmo não deve ser o tipo que comenta em tudo aquilo que lê e gosta, e se a pessoa tirou um pouco do seu tempo para deixar um comentário na sua postagem, ela realmente gostou do que leu.

4. Aceite que você não irá agradar todo mundo
Você nem imagina que um blog como o Me Livrando, que tem apenas dois anos de existência, tenha haters, mas é incrível como eles existem. As pessoas se incomodam com o sucesso, e eu tenho plena consciência de que meu blog atingiu bons números em pouco tempo. Fico orgulhosa? Claro que sim! Mas sei que isso não o torna melhor do que vários blogs espalhados por aí e menos vistos, mas com um conteúdo maravilhoso. Eu diria que foi tudo fruto do esforço e dedicação que tive com o MeL especialmente em 2015, além do apoio de amigos e do meu namorado. Conquistas atrás de conquistas que me ajudaram a entrar em 2017 com mais de 400 mil visualizações! Coisa linda se ver, viu? Tenho orgulho mesmo!
Contudo, isso acaba atraindo aquela galerinha amargurada que sempre está à espreita atrás de algo para criticar. Se você tem bons números, é só porque tem rostinho bonito. Se tem muitos comentários, é porque sai pedindo que todo mundo comente. Se você elogia livros ou a editora em si, é só porque tem parceria com ela. Se você faz resenhas muito negativas ou esmiuçadas, é só porque quer bancar o crítico especialista. Os julgamentos são infinitos quando você começa a incomodar as pessoas por qualquer motivo que seja. Minha dica é que ignore todos. Demorei a aprender a ignorar, mas depois que você faz isso, a vida fica uma maravilha e o estresse diminui. Meu conselho: nesses casos, use mais o botão “block” e seja feliz, porque aí está um pessoal que nunca irá deixar de criticá-lo, não importa o que você faça. Aceite isso e continue sendo quem você é.



5. Parcerias com editoras são legais, mas não são tudo
Aqui não vou me estender muito porque já fiz uma postagem específica sobre o assunto. É meio irônico que eu, que desde o primeiro ano fechei parceria com editoras, dê esse tipo de conselho – mas sério, parcerias não são tudo. Às vezes elas podem pressioná-lo demais e fazer as pessoas terem a falsa impressão de que sua opinião não tem credibilidade. Isso tudo porque realmente existe quem faça resenhas positivas mesmo odiando o livro só para não perder parceria... O que não é o meu caso e duvido muito que seja ou seria o seu também, leitor. Esse pré-julgamento, entretanto, sempre existirá quando você fechar suas parcerias.
Mas quem não ama receber livros, não é? Poder escolher os lançamentos da editora favorita e tê-los em sua casa antes de todo mundo? Não é um trabalho de graça, pois em troca você precisa resenhar e isso dá mais trabalho do que as pessoas imaginam, mas ainda assim é fantástico. Eu amo ter parcerias nesse quesito. Com aquelas que pressionam muito, preferi cancelar em 2017, mas em geral poder fechar com alguma editora ou mesmo autor é uma experiência bacana.
Atente-se ao fato de que você não passar nas seleções não significa nada. Não quer dizer que seu blog é menos interessante, feio ou irrelevante. Na verdade, muitas vezes ele pode nem ter sido analisado pela editora. Não vou dizer que todas fazem isso, mas é inegável que acontece entre algumas. Ou seja: continue com seu trabalho e torne seu foco a produção de conteúdo, não parcerias, e tudo valerá a pena.

6. Faça por amor
Se você fizer por amor, como eu já disse ali em cima, fará tudo valer a pena a partir do momento em que as pessoas notarem o seu amor pelo que faz. Comigo é assim. Se eu fico feliz quando uma editora fecha parceria com o Me Livrando, nem se compara a receber um elogio sincero de alguém que eu não conheço falando o quanto admira meu trabalho e vê que deposito nele todo o meu amor e carinho. Isso é gratificante e faz as horas de sono perdido para ficar em frente ao computador escrevendo algo valerem a pena. As críticas e ataques se tornam irrelevantes e me fazem pensar: “por que dar trela para esses comentários negativos se eu tenho todo esse amor aqui do outro lado?”.
Veja bem, não estou dizendo que você precisa ter inimizades e desavenças para ser blogueiro. Longe disso! Mas se tiver, não caia no mesmo erro de alguns famosos, que costumam ignorar elogios, mas estão sempre sedentos por responder críticas ofensivas. Não seja assim. Isso é colocar as pessoas que te acompanham e desejam seu sucesso para baixo em detrimento de quem quer vê-lo fracassar. Agora, se você não tiver inimizades, fique feliz. Seu espaço só atrai gente incrível, pessoas maravilhosas, e não há coisa melhor.

 7. Conte com seus leitores
Se você começa a tratar seus leitores como amigos/família, você poderá começar a contar com eles para tudo. É o meu caso. Tenho os melhores leitores que poderia pedir, e sempre que preciso de ajuda, seja onde for, eles estão lá por mim. Também puxam minha orelha quando acham necessário, comemoram comigo minhas conquistas e ficam ao meu lado até nos momentos ruins. Se eu estou sem inspiração, é só entrar no grupo e pedir ajuda para eles. Ou mesmo perguntar na página. Sempre dá certo! Além de alguns já terem aparecido por aqui compartilhando um conteúdo legal. Esses são meus amigos leitores e foi muito fácil torná-los assim. Faça isso e não se arrependerá! Mas minha outra dica é que você também...



8. Tenha amigos blogueiros
É a melhor coisa! Sério. Ter aqueles amigos com quem você pode contar e que entendem toda a sua situação. Eles irão compreender os seus bloqueios para criar postagens, irão ajudá-lo com novas ideias e te darão todo o apoio que só outro blogueiro sabe dar. Claro que no meio do pacote virão aquelas pessoas interesseiras, talvez apareçam alguns que irão decepcioná-lo no futuro, mas só com o tempo você aprenderá a separar o que é bom do que é tóxico. Enquanto você ainda não sabe, firme o maior número de amizades com blogueiros que conseguir. Vale a pena!

9. Cuidado com sorteios!
São ótimos? Sim. Mas não se vicie. Especialmente se você depender de outros. Foi o meu caso. Já me ferrei inúmeras vezes com gente que quis fechar parceria para sorteio mas não cumpriu o compromisso. Não é a pessoa que ficará malvista, e sim você. Por isso é bom pensar muito antes de fechar qualquer parceria com sorteio – só tope se a pessoa for confiável. Já tive vontade de desistir de fazer sorteios, e seriamente ainda penso nisso muitas vezes. Eu poderia continuar e só usar como prêmio aquilo que dependesse de mim, porém moro em Belém e o frete daqui para o resto do Brasil costuma ser uma coisa exorbitante. Se você tem sorte e mora mais para o Sudeste, aproveite. Livros bons de dez reais pipocam a todo momento na Amazon e são um modo legal de promover sorteios para “homenagear” ou agitar aqueles que acompanham você, além de ser um modo de conseguir mais leitores.
Porém, repito: não se vicie. Fazer muitos sorteios sucessivos pode parecer sinônimo de “fartura”, mas eu sinceramente vejo como desespero. Especialmente aqueles que obrigam o leitor a curtir a página. Além de o Facebook tecnicamente proibir, seus números crescem exponencialmente e você se empolga, mas não percebe que a maioria será de leitores fantasmas que não acompanharão de verdade o seu trabalho. Isso não é bacana. Do que adianta tantos números e tão pouca interação? 

10. Seja sempre sincero
Sinceridade é tudo. Cultive-a. Se você começar a mentir sobre o que leu, as pessoas irão perceber em algum momento. Minha mãe ama dizer que mentira tem pernas curtas e eu acredito piamente nela. Se incumbir a você a avaliação de algum livro ou outro produto, seja sincero. Não importa se você tenha sido pago para opinar, ou recebido de graça: não engane seus leitores, essa provavelmente é a pior traição contra quem acompanha seu trabalho.
Deixem-me contar uma experiência ruim: sou parceira da DarkSide Books e em 2015 recebi a notícia de que publicariam Os Senhores dos Dinossauros. Fiquei animada por conta da comparação e indicação do próprio George R. R. Martin. Fiz hype em cima mesmo, admito! Entrevistei o autor, Victor Milán, que provavelmente é o escritor mais gentil que já conheci na vida. Então, meses depois, o livro chegou em minhas mãos. Li... E não suportei. Que outra opção eu tinha senão a sinceridade? Entrevistara o autor, a editora era minha parceira, alardeara sobre o livro em todo o Facebook... Mas precisei fazer essa resenha, precisei ser sincera. Mais que um dever, uma obrigação. Eu precisava me redimir com os leitores porque eles mereceram uma retratação. Escolhi a sinceridade


E quanto a você? Tem um conselho legal para deixar? Também tem blog? O que aprendeu com ele desde que o criou? Compartilha comigo. Estou bem curiosa pra saber.

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