Artigo || Porque fechar parcerias não é a coisa mais importante do mundo (e você não deve se preocupar se não conseguir)
"O número de parcerias que você fechou não define a qualidade do seu conteúdo: entenda isso."
A postagem de hoje tem um teor diferente. É sobre o que tem me deixado aflita nos últimos tempos, desde que tive de escolher a faculdade em detrimento do blog, mais especificamente nas provas do segundo bimestre que decidiriam se eu ficaria de férias mais cedo ou iria para as provas finais. A escolha foi óbvia, né?
E eu saí perdendo. Porque escolher é isso: você ganha algo, mas em contrapartida também perde. Não podemos ter os dois ao mesmo tempo. Não do jeito que queremos. Eu queria tirar notas altas na faculdade, e também queria postar com frequência e resenhar bastante. Infelizmente não é assim que funciona.
Eu não deveria estar reclamando. Esse ano foi maravilhoso para o blog em muitos aspectos. Dobramos o número de visitas em relação ao total de 2015 – e nem chegamos à metade de 2016 ainda (agradecimentos especiais ao meu namorado, que me ajuda bastante). Tivemos a 10ª edição do meu projeto extra, a Maratona Literária Me Livrando, e foi um sucesso em todos os sentidos. O 1º Encontro Literário Virtual Me Livrando, a acontecer no próximo dia 25, já tem mais de 1.000 interessados e confirmados. Passamos em todas as parcerias para as quais nos inscrevemos. Despertamos interesse de dois grupos grandes, que queriam que o Me Livrando fosse uma coluna em seus sites (esse aqui mantive em segredo, e recusei com veemência porque o Me Livrando foi criado para ser um blog e não está nos meus planos torná-lo uma coluna semanal, embora agradeça imensamente a oferta). Nosso Instagram bombou (algumas fotos receberam mais de 1.500 curtidas) e a página chegou em 13.000 seguidores, além do próprio blog, que já conta com mais de 800. Ufa... Muita coisa boa, né? Um mar de rosas, provavelmente.
Só que não. Eu fiquei feliz por cada conquista do MeL e por vezes nem acreditei que de fato estava acontecendo. Não relacionei os números acima para me exibir a você, e sim para provar que não é porque as coisas parecem maravilhosas que elas estão de fato assim. O Me Livrando não é meu trabalho em tempo integral, é um hobby que cresceu mais do que eu esperava. Ele não me dá dinheiro, não me entregará um diploma nem me dará uma vaga de emprego. E recentemente tem me causado pavor.
Sim, pavor. Abracei o mundo inteiro com os braços – e olha que só tenho 1m e 53cm! Venho fazendo isso desde o ano passado. Quando criei o blog e vi que muita gente estava me acompanhando, me empolguei. Aceitei o primeiro pedido de parceria com Jim Carbonera (que nem é autor de fantasia, e me apresentou a mais interessante obra fora do gênero que já li na vida) com a presunção de que iria ajudá-lo. Acho que o fiz, no fim das contas, pois a resenha de Verme! foi uma das mais lidas no blog. Os pedidos de parceria não paravam de vir (e não param até hoje) e eu, sem experiência alguma, aceitava sem hesitar.
O primeiro baque: obras que não me agradavam. Na minha curta carreira de blogueira, me deparei com diversas assim. Como resenhar um livro que eu não gostei? E pior ainda, cujo autor confiava em mim e se tornara meu amigo? O segundo baque foi a quantidade. Eu simplesmente não conseguiria ler tudo aquilo de obra, física e digital, em um ano. Mas só fui perceber isso tarde demais. O que, claro, não significa que eu tenha aprendido com o erro: vide a quantidade de editoras que são parceiras do blog.
Enfim, o meu ponto é: acredito que hoje em dia estaria muito mais tranquila e feliz com o blog se não fossem as numerosas parcerias. Amo cada uma e tento cativá-las, mas elas são muitas para mim. Às vezes quero desistir de tudo, outras penso que consigo. Isso não diminui a aflição de não estar em dia com cada uma delas. Na verdade, a vontade de sumir é grande, sabe? E eu espero que você jamais passe por isso também. Todas as conquistas que já tive são meio que ofuscadas por esse simples porém. Sim, estou feliz, mas poderia estar mais. Poderia estar tranquila... Tudo isso se eu tivesse alguém que, um ano atrás, tivesse dito: ei, você pode ajudar todo mundo, mas vai com calma.
"Se você acha que receber livros de graça é a melhor coisa em ter um blog literário, repense."
Só que não. Eu fiquei feliz por cada conquista do MeL e por vezes nem acreditei que de fato estava acontecendo. Não relacionei os números acima para me exibir a você, e sim para provar que não é porque as coisas parecem maravilhosas que elas estão de fato assim. O Me Livrando não é meu trabalho em tempo integral, é um hobby que cresceu mais do que eu esperava. Ele não me dá dinheiro, não me entregará um diploma nem me dará uma vaga de emprego. E recentemente tem me causado pavor.
Sim, pavor. Abracei o mundo inteiro com os braços – e olha que só tenho 1m e 53cm! Venho fazendo isso desde o ano passado. Quando criei o blog e vi que muita gente estava me acompanhando, me empolguei. Aceitei o primeiro pedido de parceria com Jim Carbonera (que nem é autor de fantasia, e me apresentou a mais interessante obra fora do gênero que já li na vida) com a presunção de que iria ajudá-lo. Acho que o fiz, no fim das contas, pois a resenha de Verme! foi uma das mais lidas no blog. Os pedidos de parceria não paravam de vir (e não param até hoje) e eu, sem experiência alguma, aceitava sem hesitar.
"Quando você perde o prazer, deixa de ser um hobby."
O primeiro baque: obras que não me agradavam. Na minha curta carreira de blogueira, me deparei com diversas assim. Como resenhar um livro que eu não gostei? E pior ainda, cujo autor confiava em mim e se tornara meu amigo? O segundo baque foi a quantidade. Eu simplesmente não conseguiria ler tudo aquilo de obra, física e digital, em um ano. Mas só fui perceber isso tarde demais. O que, claro, não significa que eu tenha aprendido com o erro: vide a quantidade de editoras que são parceiras do blog.
Enfim, o meu ponto é: acredito que hoje em dia estaria muito mais tranquila e feliz com o blog se não fossem as numerosas parcerias. Amo cada uma e tento cativá-las, mas elas são muitas para mim. Às vezes quero desistir de tudo, outras penso que consigo. Isso não diminui a aflição de não estar em dia com cada uma delas. Na verdade, a vontade de sumir é grande, sabe? E eu espero que você jamais passe por isso também. Todas as conquistas que já tive são meio que ofuscadas por esse simples porém. Sim, estou feliz, mas poderia estar mais. Poderia estar tranquila... Tudo isso se eu tivesse alguém que, um ano atrás, tivesse dito: ei, você pode ajudar todo mundo, mas vai com calma.
"As parcerias são importantes, mas seu bem-estar vem em primeiríssimo lugar."
Quero ser essa pessoa para você, blogueiro iniciante. Quero ser quem avisa. Não cometa o mesmo erro que eu cometi. Não se afunde nessa onda de aflição. As parcerias são importantes, mas o seu bem-estar vem em primeiríssimo lugar. Não menospreze nem um dos dois, mas também não deixe que o primeiro fique acima do segundo. É agoniante ter pilhas e pilhas de livros que você deixou de encarar como leitura prazerosa, e sim como leitura obrigatória. Quem quer isso? Relembra a época das leituras do vestibular. Relembra o quanto eu não gosto daquelas obras até hoje por ter o Enem como um diabinho me cutucando nas costas com o tridente exigindo que eu lesse tudo. Blogar por amor se transforma em blogar por obrigação. Quando você perde o prazer, deixa de ser um hobby.
"Nada, absolutamente nada, se compara a você ler o que quiser quando estiver afim."
Quanto a mim, ainda tenho que decidir o que fazer com tudo o que me resta inacabado. Tudo o que deixei acumular por não dar conta e ser apenas uma – não, não estendo os compromissos que eu fechei aos meus colaboradores porque não é justo com eles. Talvez encerre algumas parcerias, talvez não. Tenho de parar antes que o blog pare.
E, por fim, se você quer um conselho de amiga, aqui vai: resenhe primeiro aquilo que lhe enche os olhos. Faça um trabalho legal. A recompensa vem depois e nem tudo nessa vida de blog literário se resume a receber livros de graça (se você acha que essa é a melhor coisa que pode lhe acontecer, repense). Nada, absolutamente nada, se compara a você ler o que quiser quando estiver afim e postar apenas sobre aquilo que achar interessante.
O número de parcerias que você fechou não define a qualidade do seu conteúdo: entenda isso.
Com carinho,
de alguém com alguma experiência.
de alguém com alguma experiência.