Era Uma Vez... 02: A Escrita
Celly aqui. Como vocês já devem saber, o Math estará postando aqui de dez em dez dias. Ontem este post deveria ter saído, tendo em vista que o anterior saiu dia 16, mas ele cedeu o seu dia para o Gabriel poder estrear e eu cedi o meu para o Math postar. É, um pouco confuso. Resumindo: só estarei postando no domingo. Vejo vocês lá!

Se existem gênios para a
escrita, eles são poucos. Posso afirmar com toda certeza que eu não sou um
deles. Eu sou como a maioria; preciso praticar, praticar, praticar, praticar
mais um pouco e praticar... É, acho que vocês já entenderam.
Para coluna de hoje eu tinha em mente fazer um
complemento da “A dificuldade de escrever uma boa fantasia” (confira o post
clicando aqui), mas conforme fui escrevendo ela se tornou algo diferente e
abrangendo a escrita no geral. Por isso posso antecipar que ela será mais
densa, pois falarei um pouco do lado emocional do autor, do tempo, de incômodos
e da escrita.
Começarei com as emoções.
Provavelmente muitos de vocês já ficaram frustrados por acharem que escreveram
uma redação boa e, na hora de receber a nota, sentiu tanto ódio pelo mísero
resultado que xingou o corretor ou até o amigo que recebera uma boa nota, sendo
que você tinha certeza que o seu estava melhor. Passando o emburro você dá mais
uma lida na redação e aos poucos percebe que foi você mesmo que escreveu de uma
forma ruim. Bom, escrever um livro, contos ou crônicas é mais ou menos igual. A
diferença que não há professores, nem amigos para culpar.
Geralmente é um tédio, uma
merda escrever. Muitas vezes pensei “Por que fazer isso no final das contas?”
“Por que escrever?” “Para que serve isso?” E a que está quase que sempre ao meu
lado: “Por que eu estou
escrevendo... ?!” Queria ter essas respostas. Mas só um dia ou outro eu sei uma
delas. É assim.
Talvez você estivesse certo que
o problema é a correção do professor, mas de qualquer jeito você sabe como é
sentir-se frustrado com o momento. Aquele papo que escritor é pessimista...
melancólico. É um pouco verdade. A qualquer momento que você for reler um
trecho, uma frase, ou a construção de um parágrafo, você não vai se contentar e
reescreverá. Às vezes está até bom, mas sempre pensamos que podemos melhorar. E
é assim inúmeras vezes o tempo inteiro até que enfim achamos suficiente para
deixar passar. Como as madrugadas foram frustrantes para mim... Como ao mostrar
um pedaço do livro para um amigo e ele apontar vários erros nos traz uma tristeza.
Sentimos-nos péssimos e para baixo. A melhor coisa para se fazer é escutar e
ter a noção do que realmente deve ser mudado. Não devemos dar total atenção às
coisas que as pessoas falam. Muito do livro é você. A obra é a sua marca e por
isso você deve aceitar algumas críticas, modificar algumas coisas que você
também concordar e partir para frente. O livro é seu e só você sabe o
desenrolar dele. A questão difícil é: balancear certinho a opinião crítica e a
sua vontade. Essa é a peça chave e algo difícil de conseguir. Como se consegue
isso? Não sei... talvez errando e aprendendo. E claro, praticando.
Ser escritor também é muito de
ser organizado, ter um cronograma e metas. Nada de escrever só quando der
vontade. Você deve estar preparado para escrever todo dia, ou quase todo dia.
Você deve estar preparado para escrever naqueles momentos bostas do seu dia e
da sua vida. Temos que escrever com barulho, com os problemas na sua família, com
amigos; ou com aquele trabalho de faculdade que não sai da sua cabeça (nesses
momentos a escrita é até terapêutica). Aos novos escritores, vocês devem ter em
mente que não se deve escrever só em momento de eterno silêncio, ou paz. Se for
assim, você escreverá duas vezes por semana... E acaba que o livro demorará uma
eternidade e que você esquecerá-se de muitas coisas pelo caminho. Em meu
momento “máquina” por tentar agilizar tudo, escrevia todo dia, por pelo menos 5
horas. Foi duro e cansativo ao extremo. Todo o trabalho de criatividade,
vontade, cabeça para pensar em histórias paralelas e tentar esquecer nosso
próprio mundo foi direcionada para escrita de todos os dias, por mais de um mês
sem parar. E era o tempo inteiro. Graças a isso, escrevi para caralho e tive
muitos resultados. No final tive as minhas aclamadas férias e o breve descanso
(ou não kkk comecei a escrever para o MeL).
Também devemos saber a hora de
parar. Não é assim, abrir o Word e começar escrever... Não é todo dia que você
estará um exímio escritor, e esses dias são raros. Quando você tenta escrever,
e percebe que a merda do tempo não passa, e nem que você tem saco para
escrever. Pare por aí, se forçar muito provavelmente vai ficar tão lixo que
você se matará se reler. De uma descansada, uma lida em algum livro. Ou escute
até música. 1 hora depois, sente-se na frente do teclado e tente digitar
novamente. Uma coisinha a mais sempre terá!
Se não conseguir. Pare. Sempre
terá um novo dia... Escrever é muito disso. Só não podemos desistir.
Bloqueio criativo, momentos da
escrita e estudo das palavras. Como não citar esses detalhes? Bloqueio criativo
todo mundo já teve, tenho certeza. A escrita anda a mil maravilhas no tempo
normal, mas quando se chega na hora H, BRANCO. Você escreve, fica uma merda e apaga.
Você escreve mais um pouco e percebe que não faz sentindo. Você escreve um
parágrafo e nada sai. Nada! Isso é frustrante, isso dá dor de cabeça. Da vontade
de gritar, de esmurrar alguma parede. E o pior... Nada disso ajuda para acabar
com o bloqueio. Acho que a melhor coisa é pegar um bom livro e lê-lo. Mas não
preste atenção só na história. Preste atenção nas palavras, nas frases, nas
construções dos parágrafos. Muita do seu desenvolvimento está ligada no estudo
das palavras... E agora você deve estar se perguntando: “tá.. e aonde está a
dificuldade nisso?” Bom, a dificuldade está que lendo uma vez você não
conseguirá nada. Devemos ler; reler, e ler mais um pouco todo tipo de livro.
Desde teórico até romance. Prestando atenção sempre nas palavras e abrindo cada
vez mais seu vocabulário. E acreditem, isso é um trabalho que levará alguns
anos para você sentir algum resultado. Talvez esse seja a pior coisa. O
tempo... Mas vocês perceberão que a leitura está dando certo principalmente
quando palavras surgirem em sua mente que se encaixam perfeitamente na frase.
Às vezes você nem lembra o significado, e mesmo assim ela se encaixa.
Temos por último a vida. A doce
e bela vida. Maldita vida (rsrsrs). Ao assumir um compromisso com a escrita,
você deve saber que sua vida terá altos e baixos. E que isso vai se refletir no
seu oficio. Tem fases que você se sentirá um merda, que você não terá vontade
de fazer nada. Sua escrita vai ficar para baixo. Juntando isso e mais o nosso
pessimismo, a combinação é algo de assustar, algo que não vale a pena falar
muito. Saiba que ficamos sombrios (rsrs) Da vontade de desistir. Já passei por
essa fase várias vezes durante a criação do meu livro e ela não é saudável.
Realmente eu peguei todos os arquivos e quase apertei o botão Delete. Por alguma coisa do destino, eu
não baixei a mão. Por isso sempre copie seus arquivos em outros lugares...
Bem, sempre terá várias coisas
para serem ditas, e que sempre esqueceremos uma ou outra. No momento nenhum
mais se encaixa nesse texto. Mas podem ter certeza que ainda há vários.
Ando em uma péssima fase. A
sorte que estou no descanso do meu livro, o deixando amadurecer. Na verdade
estou de saco cheio de escrever essa matéria. Não porque eu enjoei de
escrevê-lo, mas sim porque para mim ele está ruim, desnecessário. Se não
acreditam em minhas palavras e acham que estou fazendo cena, pode perguntar
para a Celly, a chefe do blog, de como tive que perguntar se isso estava postável.
Porque em minha opinião não está kkkk Mas ela gostou e me forçou a terminar. E
aqui está ele! Não sei mais o que escrever. São duas da manhã, to cansado e com
sede. Amanhã acordo cedo, faço trabalhos da faculdade e estudo (isso que ainda
não tenho emprego). Essa é a vida de um jovem escritor. Essa é a dificuldade.
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