Viver sem ler é perigoso.

Resenha || Eu Sou A Lenda - e o autor que se tornou uma




  Título do Livro: Eu Sou A Lenda
  Autor: Richard Matheson
  Editora/Tradução: Aleph/Delfim
  Páginas: 384
  Ano de Publicação: 2015
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Sinopse Uma impiedosa praga assola o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em algo digno dos pesadelos mais sombrios. Nesse cenário pós-apocalíptico, tomado por criaturas da noite sedentas de sangue, Robert Neville pode ser o último homem na Terra. Ele passa seus dias em busca de comida e suprimentos, lutando para manter-se vivo (e são). Mas os infectados espreitam pelas sombras, observando até o menor de seus movimentos, à espera de qualquer passo em falso...
Você conhece Richard Matheson? Já teve qualquer contato com uma de suas obras? À primeira pergunta a resposta até pode ser não, mas talvez você nem imagine que a segunda só pode ser respondida com um indubitável sim.
Richard Matheson teve seu primeiro conto lançado já desde 1950, mas foi em 1954 que se tornou conhecido ao publicar o romance Eu Sou A Lenda (I Am Legend no original). Ainda que não o conheça, se você já leu Stephen King, Anne Rice, Brian Lumley, Ray Bradbury e Robert Bloch, teve um contato indireto com sua obra – e você só teve o prazer de conhecer os autores citados por conta de Matheson. Ele influenciou uma geração de artistas de todos os gêneros, inclusive cineastas como George A. Romero, cuja obra A Noite dos Mortos-Vivos teve inspiração na obra que resenho agora.
Apesar de Eu Sou A Lenda ter sido nomeado como o melhor livro de vampiros do século, desbancando King e Rice, eu não diria que as criaturas são o foco da obra. É também muito diferente de sua terceira e última adaptação, estrelada por Will Smith e Alice Braga, que alivia bastante a realidade dura de Robert Neville e introduz uma ação quase inexistente no livro. O filme retirou parte da essência da obra, eu diria. Retirou aquilo que, para mim, a tornou tão interessante enquanto eu lia: a introspecção.


Eu Sou A Lenda é sobre o cotidiano do último ser humano na Terra – talvez o último ser vivo como conhecemos. Apresenta a sua rotina ao longo dos três anos em que passa sozinho, após perder a filha e a esposa para a praga que levou quase todos os humanos consigo, exceto um. A doença traz da cova aqueles que já morreram, e corrompe os que estão vivos, todos direcionados a um único instinto de sobrevivência: sangue. Então você tem os mortos-vivos e os vivos-mortos. E Robert Neville. Como a capa traseira deixa bem claro: ele não está sozinho – mas ao mesmo tempo está irremediavelmente só.
Esteja avisado: você está nas mãos de um escritor que não concede ou pede clemência. Ele vai exauri-lo... E, quando você fechar este livro, ele vai entregar-lhe um dos melhores presentes que um escritor pode dar: vai deixar você querendo mais. || Stephen King
Se eu fosse apontar um protagonista para esta obra, diria que é a solidão. É ela quem começa a comandar os atos e atitudes de Neville. Ela é a personagem principal, que se enraíza cada vez mais conforme viramos as páginas. Toma as rédeas da vida de Neville e o conduz a caminhos que ele provavelmente não tomaria se não a tivesse como companhia. Eu senti a dor de Robert, senti seu medo e desespero e, por fim, senti sua resiliência. Entendi porque ele se tornou tão desumano... Afinal, há dois tipos de humanidade: o gênero humano, e o sentimento humano. Uma vez que o primeiro não existe, qual a necessidade de o segundo persistir? Neville abandona a sua benevolência, a sua clemência, e mergulha num poço sem fundo, prolongando os dias enquanto apenas existe, tendo a plena consciência de que o fim é próximo – e inevitável.
Ao terminar a obra, e isso porque li apenas uma, entendi porque Matheson influenciou tantos grandes nomes e gêneros da Literatura e do Cinema. Não vou dizer que este romance claustrofóbico é uma leitura obrigatória, mas você provavelmente ficará grato por conhecê-lo. Assim como Robert Neville que se tornou A Lenda, afirmo com segurança que Matheson também o fez. Ele não morreu em 2013: continua vivendo através do que escreveu, através da influência que produziu e que sempre produzirá.

Um novo terror nascido na morte, uma nova superstição entrando na fortaleza inexpugnável da eternidade. Eu sou a lenda.

           





     

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